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  • Ricardo Iztlimitl

O FEMININO E O MASCULINO SAGRADO, A DUALIDADE CRIADORA E O RETORNO A UNIDADE



O masculino e o feminino estão em todas as coisas, um não pode existir ou mesmo ser definido sem o outro. Não há dia sem noite, Sol sem Lua, vida sem morte. Nenhuma criação é possível sem a manifestação do gênero e das polaridades. A dualidade cria, e suas criações são duais.

Para os sábios povos Maias, a força que representa a dualidade suprema é chamada “Hunab'Ku” (Doador de movimento e medida), para Toltecas e Aztecas, e muitos outros povos, “Ometeotl” (Criador Dual). Na tradição Tolteca/Azteca, Ometeotl se manifesta primordialmente em duas formas: Ometecuhtli (aspecto masculino) e Omecihuatl (aspecto feminino), que dominam Omeyocan (lugar da absoluta dualidade).


Omeyocan é considerado o mais alto plano divino. A partir dele, a dualidade sagrada Ometecuhtli e Omechihuatl atuam como sustentadores do mundo material. Neste sentido recebem a denominação de Tonacatecuhtli e Tonacacihuatl (senhor e senhora da nossa carne). Todas estas entidades são em essência, manifestações de "Teotl" (o Creador Uno – o grande mistério), uma força invariável e eterna, que sustenta a ordem e seus elementos mutáveis e imutáveis. Teotl é ao mesmo tempo matéria, ideia, e o vazio. Em suas entranhas as mudanças ocorrem incessantemente de maneira rítmica e harmônica, mas também de forma caótica e desordenada.


Como podemos perceber, a concepção tolteca das forças criadoras aceita a dualidade e suas polaridades de forma natural, sem atribuir um predomínio de um polo sobre outro ou de um gênero sobre outro, pois enxerga ambos como partes indissociáveis de um todo, necessários a sustentação da existência.

Notem a semelhança desta cosmovisão com o Tao de Lao Tsé.


Em nosso tempo, onde a cultura de massa exalta a competitividade e o individualismo egoísta, o conhecimento das tradições ancestrais nos oferece um caminho legítimo para a unicidade. A ciência espiritual destes povos se apoia não em dogmas exteriores, mas sim em incontáveis gerações de Xamãs que construíram seus conhecimentos tanto por intermédio de profundas experiências introspectivas, quanto através de um íntimo contato e observação da Natureza.

Nesta tradição, o primeiro passo é o reconhecimento da nossa dualidade intrínseca. Uma tarefa mais enganadora que sua aparente simplicidade, nos esquecemos que reconhecer algo significa muito mais que acatar intelectualmente uma ideia.

Os povos originários assimilavam estas diferenças e seus enlaces em profundidade, pois as observavam na inequívoca sabedoria dos processos da Natureza (a melhor das professoras e o maior dos Xamãs). Dela identificavam as diferenças entre os sexos e percebiam com a mente, o corpo e o coração o Sagrado na manifestação das forças masculinas e femininas. Além disso, estes povos também reconheciam a coexistência do feminino dentro do masculino e do masculino dentro do feminino, onde ambos se fortaleciam mutuamente sem que nenhum deles perdesse a sua forma e essência característica.

Desenvolver a capacidade de enxergar essas “majestosas minúcias” é exatamente o tipo de habilidade de que carecem as pessoas para entender o espírito da nova Era. Uma era de síntese, que em nada se assemelha ao embaralhamento de conceitos que muitos tem produzido.

Temos que perceber todos os nuances da dualidade para conseguir trilhar verdadeiramente o caminho da reintegração. Para integrar as partes, é preciso antes reconhecer as diferenças. Quando desejamos montar um quebra-cabeças, primeiro separamos as peças para depois juntá-las.

Na cultura Tolteca/Azteca, a dualidade é a manifestação da deidade que percorre todos os planos até se tornar visível no nosso mundo material, tangível. E pode ser traduzida da seguinte forma:

“Tudo no Universo é uma unidade dinâmica de contrários inseparáveis e complementares, e onde o Uno se transforma em seu oposto em um processo de eterno movimento”.

Em nós seres humanos, partes desse Universo, o “movimento” em questão também se processa em todas as nossas dimensões, que compreendem tanto nosso corpo físico, quanto nossos corpos emocional, mental e astral. Os “contrários inseparáveis e complementares” representam nossa essência e tudo aquilo com o qual interagimos, quer esteja no ambiente exterior, ou dentro do nosso próprio Ser. Uma vez que reconhecemos a importância fundamental deste contato, abrimos os olhos para importância dos relacionamentos, e conseguimos entender melhor o que vai mal, e porque vai mal. Por exemplo: Um homem que se relaciona mal com sua parte feminina dificilmente será capaz de entender e estabelecer relações significativas com uma mulher.

Ao perceber as diferenças da natureza e as deficiências de nossos relacionamentos, com os outros e entre nossas próprias partes, podemos começar a transformar o nosso comportamento e a romper barreiras físicas, emocionais, mentais e astrais. Só assim, de boa vontade para o caminho da plenitude, tornamo-nos Uno outra vez.

Comecemos com humildade, aprendendo a reconhecer, respeitar e valorizar nossas diferenças como homem e mulher, mulher e homem, ser humano e natureza, natureza e ser humano, matéria e espirito, espirito e matéria, emoção e razão, razão e emoção.

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© 2016 por Ricardo Iztlimitl. 

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